BEM NASCIDO
COPA PETROBRAS DE
MARCAS & PILOTOS

CHEVROLET, HONDA, FORD E EXTRAOFICIALMENTE
A TOYOTA FAZEM O NOVO “BRASILEIRO DE MARCAS”.
AINDA É CEDO PARA GARANTIR SEU FUTURO,
MAS TEM TUDO PARA DAR CERTO

O campeonato nacional de automobilismo que foi o maior sucesso nas pistas do Brasil na década de 80 e 90 está de volta. É o Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos que retornou as pistas no dia 20 de junho e já realizou três de suas etapas, [dois dias após o fechamento desta edição, foi realizada a terceira etapa], a abertura do campeonato, após treinos coletivos em Curitiba, aconteceu no histórico Tarumã, à segunda etapa acelerou em Interlagos enquanto a terceira prova correu em Jacarepaguá no Rio de Janeiro.

Rebatizado com o naming rights de Copa Petrobras de Marcas & Pilotos, o certame que teve em seu grid no passado grandes nomes do automobilismo brasileiro como Toninho Da Matta, Gunnar Wolmer, Andréas Mattheis, Paulo Judice, Ingo Hoffman e Emerson Fittipaldi entre outras feras da história do automobilismo nacional e internacional, retorna as pistas com grandes pilotos consagrados e promessas do automobilismo. Baseado em um bom aporte técnico, uma boa relação custo benefício e apoiado por três montadoras, Chevrolet, Honda e Ford [embora a Toyota esteja no grid, por enquanto a montadora não participa oficialmente do campeonato de marcas], o evento vem surpreendendo em qualidade e retorno.

O campeonato agora é organizado pela Vicar, mesmo empresa promotora da Stock Car e traz para o automobilismo o conceito de disputa entre marcas da indústria automobilística, receita que tem sucesso permanente na vizinha Argentina c om o TC 2000 e também em campeonatos Europeus como BTCC [Campeonato Inglês de Turismo] além de, em escala maior, o DTM [Campeonato Alemão] e o WTCC [ Mundial de Turismo FIA].

TECNOLOGIA E PADRONIZAÇÃO
PARA EQUALIZAÇÃO

Em uma análise mais profunda, o certame tem tudo para vingar, mas isto dependerá muito do apoio ininterrupto de no mínimo as montadoras que atualmente estão no grid. Tecnicamente o campeonato tem boa receita com padronização de motores [argentinos da Berta] e caixas de câmbio [inglesas, sequenciais de competição da X Track]. Este formato integrado à forma de “reconstrução” dos modelos garante competitividade e controle de custos para as equipes, incluindo o investimento das montadoras, já que o carro-chefe desta receita está no fato das montadoras investirem colaborando também no orçamentos das equipes oficiais [por isso, não estranhe carros no grid momentaneamente sem patrocínio], isso faz com que a padronização de componentes favoreça a equalização dos carros aumentando o equilíbrio na pista e o interesse das montadoras. A organização fala em outras montadoras estudando sua adesão ao certame, provavelmente na edição 2012.

Ao analisar as fotos (Box na página ao lado) os mais nostálgicos podem dizem que, por tratar-se de motores, suspenções e câmbio padrões, o novo Brasileiro de Marcas assim não o é, mas engana-se. Câmbios e suspenções montados com componentes “padrão” para competição também são utilizados em grandes campeonatos do gênero pelo mundo pelo mesmo motivo, equilíbrio de desempenho e redução de custos. Os motores que neste primeiro momento também são padrões são vistos como uma boa alternativa na mesma linha de raciocínio, competitividade a custo baixo já que, caso cada marca trabalhe seu propulsor individualmente, caminhões de dinheiro seriam necessários no desenvolvimento buscando estar na frente da concorrente. A receita atual pode não ser purista, mas é a ideal à economia e ao incentivo que o esporte a motor brasileiro recebe.

O campeonato é marcas de verdade. Os chassis são os originais de fábrica, iguais ao que você vê nos concessionários, que passam por diversas alterações visando desempenho [lembre-se, um carro de rua não é construído com este propósito e sim tem outras premissas como o conforto, economia, baixo consumo além claro do desempenho, mas dentro dos limites entre custo beneficio e baseado na regulamentação de segurança do Contran], estas alterações que o carro recebe incluem a construção da estrutura de segurança popularmente conhecida como Santo-Antônio, banco de competição, cinto, tanque de combustível especial, barras de segurança, itens de carroceria e perfil aerodinâmico etc. Para garantir maior segurança e desempenho as suspenções são parcialmente fixadas nesta estrutura.

O que faz do campeonato de marcas uma saudável guerra entre as montadoras é principalmente o monobloco, o chassi do seu carro de rua que por mais que receba alterações ou substituição de seus componentes principais por uma tecnologia especial para corridas, ainda faz a grande diferença, afinal, é sobre esta plataforma que toda a estrutura e mecânica desempenha seu papel, o que influência no desempenho do conjunto. Por mais modificado que seja, uma boa base original é fundamental, afinal, na pista brigam-se por milésimos de segundo. Ponto para as montadoras que aceitaram a receita e o desafio.

São carros construídos para voar baixo e fazer a torcida de cada montadora delirar nas arquibancadas, e vale a pena conferir cada etapa. Uma receita que graças à competitividade vai cativar muita gente.

DESPORTIVAMENTE,
UMA RECEITA PARA
AINDA MAIS EQUILÍBRIO

Se na parte técnica o campeonato não faz feio perante aos principais eventos do gênero no mundo, a parte desportiva foi pensada para garantir ainda mais equilíbrio. Correndo em rodadas duplas com as duas corridas realizadas no domingo, sexta e sábado são realizados os treinos livres e classificatório, é na formação do grid que está garantida ainda mais emoção.

O grid que atualmente é composto por 20 belíssimos marcas recebe alterações entre a primeira e segunda corrida do final de semana. Se na primeira corrida o grid é formado com base no resultado do treino classificatório, na segunda têm-se o grid invertido entre os oito primeiros classificados da primeira prova, ou seja, quem chegou em oitavo na primeira corrida do final de semana largará na pole, o sétimo na primeira corrida será segundo no grid da segunda prova e assim respectivamente até o posicionamento do vencedor da primeira corrida no segundo grid de largada, onde largará em oitavo.

Os lastros de sucesso também fazem parte do grid. Os pilotos melhores colocados recebem peso extra em seus carros garantindo ainda maior equilíbrio nas disputas. O vencedor recebe 50 quilos adicionais ao peso regulamentado do carro, o segundo colocado 40 quilos respectivamente até o quinto colocado que recebe 10 quilos, pesos não acumulativos para as outras etapas, ou seja, quem vencer recebe 50 quilos a mais, mas somente para a próxima corrida, mantendo o peso no carro somente se voltar a vencer ou valor referente caso esteja entre os cinco primeiros. Com esta receita desportiva e com o lado técnico equilibrado a certeza de bons finais de semana de velocidade é praticamente garantida.

SUPREMACIA IRREAL
DA GRAVATINHA

Após a realização destas duas primeiras rodadas dupla [realizadas antes do nosso fechamento editorial], quem consultar as tabelas de classificação no site oficial da categoria [brasileirodemarcas.com.br], pode achar que os carros da Chevrolet que até então lidera o certame são muito superiores a concorrência. Mero engano.

As equipes que aceleram o chassi Chevrolet vêm mostrando um ótimo desempenho, mas seus resultados também são relativos à tamanha competitividade já que a concorrência - em grande parte - enfrentou as chamadas adversidades de corrida, o que as impediu de brigar pelas vitórias.

Na primeira etapa do campeonato, as disputas em Tarumã foram intensas no circuito que é o mais veloz do calendário de corridas do automobilismo do Brasil. A estreia do campeonato serviu para mostrar que o público fanático por corridas não terá do que reclamar. Na pista, Valdeno Brito (Astra, Mico's Racing) liderou todos os treinos, fez a pole e venceu a primeira corrida, enquanto Thiago Camilo (Astra, AMG Motorsport) subiu ao alto do pódio na prova derradeira do fim de semana. Daniel Serra (Civic, Serra Motorsport) foi segundo na duas e deixou Tarumã na liderança da tabela de classificação.

A primeira prova contou com o domínio total do paraibano Valdeno Brito. Um dos mais empolgados com a nova categoria, o piloto de 36 anos ficou contente por ter colocado seu nome no topo da lista de vencedores. "Foi uma dificuldade tremenda arrumar uma maneira de competir nessa categoria que eu acredito muito, e vencer assim logo de cara é uma satisfação maior ainda. Estou muito contente", definiu Valdeno Brito.

Na segunda corrida, Camilo conquistou a vitória, mas graças ao ótimo desempenho na prova 1, quando largou da última posição e chegou em sétimo. "Sabia que, com o grid invertido, se eu chegasse pelo menos em oitavo eu teria chance de andar bem na segunda. Como não treinei, tinha bons jogos de pneus e isso foi fundamental para o meu desempenho hoje aqui. Tenho certeza que essa categoria vai crescer ainda mais, porque o começo já foi fantástico. Com vitória, fica melhor ainda", disse o piloto do Astra #21. Daniel Serra repetiu a segunda posição, mas quem festejou mesmo o pódio foi o gaúcho Rodrigo Miguel, piloto natural da cidade de Lajeado. Ele fechou o esquema para pilotar o modelo Corolla da Bassani Racing na sexta-feira e não imaginava dividir o pódio com nomes importantes do automobilismo brasileiro. "A ficha ainda não caiu. Outro dia eu estava vendo os caras na tevê correndo e hoje estou aqui ao lado deles. Estou muito feliz mesmo por tudo o que aconteceu comigo neste fim de semana", definiu o jovem, bastante tímido.

EM INTERLAGOS,
O COROLLA QUASE DESTRONOU
A BOA FASE DO ASTRA

Em São Paulo na realização da segunda e terceira etapas, viu o Chevrolet Astra de novo dominar as atividades, desta vez no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos. Na corrida da manhã de domingo sol em Interlagos, o pole position Valdeno Brito (Mico's Racing) não teve dificuldades para vencer. Mas as maiores emoções estavam reservadas à prova 2, que teve o pole Denis Navarro (Corolla, Bassani Racing) liderando com mais tranquilidade ainda, mas a quebra do semi-eixo na penúltima volta colocou a vitória nas mãos de Thiago Camilo, que ainda fez a dobradinha do Astra da Carlos Alves Competition Team ao lado de Galid Osman.

"Estou muito feliz com esse resultado, porque a equipe trabalhou de maneira perfeita no fim de semana. A gente tinha dificuldade nas retas, além dos 40 kg de lastro de sucesso. Na classificação eu tinha feito um erro bobo. Na segunda corrida o que pesou foi a paciência, porque no começo o pessoal veio muito afobado. Foi importante ter saído daqui com esse resultado, sobretudo pelas dificuldades que a gente tinha nos trechos de reta e de subida em Interlagos", disse Camilo.

Valdeno Brito, o vencedor da primeira corrida, abandonou a disputa vencida por Camilo, mas comemorou o fim de semana com o Astra #77 da equipe Mico's Racing. "Foi complicado manter a liderança nas relargadas (foram três intervenções do safety car), mas consegui me segurar ali na frente. Quase no fim da prova, o Juliano Moro (Honda Civic, Auto Racing) tentou me passar, mas me defendi bem e deu tudo certo", comemorou o paraibano. O gaúcho Juliano Moro foi segundo na primeira corrida em São Paulo com o Honda Civic e abandonou a corrida 2. Companheiro de Thiago Camilo, Galid Osman foi o segundo na prova 2 e terceiro na primeira corrida do final de semana.

RECEITA DE SUCESSO

Esta é a Copa Petrobras de Marcas & Pilotos, um campeonato que renasceu muito bem e veio para resgatar a paixão do brasileiro pelas marcas de automóveis, já que propaganda de prestação baixa possibilita a compra, mas não faz o consumidor ter orgulho do emblema que está na sua garagem. São carros que você vê nas ruas, belos e velozes pelas pistas de corridas.

Uma receita com custo estimado de seiscentos mil reais em uma temporada por carro, então, se você tem esta grana em patrocínio, tem experiência e guia tanto quanto estes caras que dão o show nas pistas, você pode ter um lugar neste grid, mas, caso este não seja seu perfil, sem problemas, dirija seu modelo com prudência pelas ruas e torça para que sua marca se dê bem nas pistas. E acredite, a torcida é tão importante para o piloto quanto sua equipe, afinal, se não há publico, não há porque haver espetáculo, mas até neste quesito o novo brasileiro de marcas também renasceu muito bem, obrigado.

A 3ª etapa da Copa Petrobras de Marcas será realizada no dia 31 de julho, no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, dois dias após o fechamento desta edição. Você terá mais Marcas & Pilotos em nosso próximo caderno.

Box:
NASCIDO PARA DAR
ESPETÁCULO

Os carros do novo brasileiro de marcas forma pensados visando à essência do automobilismo que é proporcionar um belo espetáculo de alto desempenho e custo relativamente baixo. São três marcas de respeito, Chevrolet, Honda e Ford apoiando o esporte e devolvendo a elas próprias ainda mais respeito e admiração do torcedor de automobilismo do Brasil, com certeza e tempo o investimento refletirá nas vendas, não há dúvidas.

Com motores padrão produzidos pela argentina Berta, utilizando suspenções e câmbio especiais para corridas, além de freios e pneus também de competição, os já bons e belos carros Chevrolet Astra, Honda Civic, Ford Focus e Toyota Corolla ficam ainda mais bonitos travestidos em seus kits aerodinâmicos, além de rápidos, potencializados pela mecânica especial para corridas. O posicionamento das suspensões com amortecedores inclinados – o que ajuda o bólido a copiar melhor a pista – centro de gravidade baixo e a maior bitola [entre rodas, respeitando a medida entre eixos, já que o carro utiliza um chassi de fábrica, igual ao que você vê nas ruas], dão ao carro uma aparência ainda mais agressiva, além de um desempenho digno de um carro feito com qualidade para levar você onde deseja e, quando nas pistas, feito para vencer.

É a tecnologia e qualidade das montadoras potencializada com as melhores receitas para carros de corridas. Uma parceria entre alta qualidade do original com o desempenho de receitas especiais para acelerar que vai longe, do apagar das luzes vermelhas de largada ao lugar mais alto do pódio, ao sucesso.

Box:
O BREVE RETORNO DE
UM MESTRE

O fim de semana não foi especial apenas para o Carlão Alves, o chefe de equipe de Camilo e Galid. Um velho conhecido e campeão das pistas também deu as caras em Interlagos e acabou no pódio da segunda corrida, na terceira posição. Chico Serra, que criou esse ano a Serra Motorsport para a disputa do Brasileiro de Marcas, não festejou os dois abandonos do filho Daniel com o Honda Civic #29 da equipe. Por outro lado, voltou a sorrir no pódio depois de ter se aposentado das competições.

"Eu realmente já parei de correr. Estou com a equipe agora e meu foco é fazer a Serra Motorsport dar certo, funcionar e trabalhar bem. Eu substitui o piloto do carro (Carlos Padovan) porque ele tinha compromissos, mas mesmo que isso aconteça de novo não vou guiar. Essa foi realmente a minha última corrida", definiu o tricampeão da Stock e ex Fórmula 1.

Sobre a Copa Petrobras de Marcas que faz sua primeira temporada em 2011, Chico Serra considera uma opção extremamente importante para o automobilismo brasileiro. Para ele, o envolvimento das montadoras é fundamental para o sucesso.

"Essa categoria tem tudo para ser uma 'supercategoria'. A ideia de Marcas, de envolver as montadoras e o público se identificar com o carro que está aqui na pista, é muito legal. Isso já foi provado na Europa que dá certo, na Argentina esse modelo é um grande sucesso e aqui será também. Estamos começando agora e mesmo assim a competitividade já é grande. Lógico que temos muito ainda para fazer, mas está tudo no caminho certo. Ano que vem já será ainda melhor", definiu o chefe da Serra Motorsport.

 

 

O campeonato agora é organizado
pela Vicar, mesmo empresa promotora
da Stock Car e traz para o automobilismo
o conceito de disputa entre marcas da
indústria automobilística
Foto: Duda Bairros / Vicar.

 

O campeonato é marcas de verdade.
Os chassis são os originais de fábrica,
iguais ao que você vê nos concessionários,
que passam por diversas alterações
visando desempenho.
Foto: Duda Bairros.